26/08/2008 09:13

NO SUFOCO!!! (Eu, o Milo e o Radiohead)


* Este post pretende ser binacional. Começa aqui e acaba em Paris. Vamos ver se rola mesmo... Porque pode rolar. E pode não rolar.

* ABALO INDIE - Revolução indie na noite paulistana. O clubinho Milo acaba de perder duas de suas mais tradicionais noites. As famosas festas Peligro (pós-rock e shows às quintas) e Mixtape (do DJ Guab, o “ damo da lotação”) saem em conjunto da garagem do rock de Higienópolis para comandar sua própria noite, em um novo bar/clube chamado Neu. A nova empreitada tomará lugar no improvável bairro da Água Branca, ao lado do parque. As últimas Peligro e Mixtape acontecem nesta semana. Depois é fim de uma era.

* A instabilidade da noite paulistana, sob o patrocínio do Milo, está igual ao publicador deste blog, que enfrenta problemas técnicos. Foi mal os travamentos últimos, de postagem e comentários. Uma hora tudo se resolve.

* PORTO ALEGRE INDIE – Tinha algumas ressalvas sobre a noite indie de Porto Alegre, impressão acumulada nessas seis, sete vezes que toquei na cidade lá de baixo, famosa por ser o celeiro das famosas “ bandas gaúchas”. Mas toda essa impressão foi dissipada no último sábado, quando toquei no Porão do Beco. Clube esperto, balada abarrotada, pista bombando, galera bonita dançando o que viesse, a hora que fosse. O engraçado é que o mesmo Beco23, empresa que gerencia há anos o Porão, tem uma outro clube na mesma rua, poucas quadras para a baixo, no mesmíssimo esquema indie-eletrônico. Chama Cabaret do Beco. O Beco é concorrente dele mesmo, entenda. No sábado, enquanto rolava a festa em que fui tocar no Porão, acontecia uma parecida a poucos metros dali, no Cabaret. E, pelo que soube, balada abarrotada, pista bombando, galera bonita dançando o que viesse, a hora que fosse.

* BATERIA E BAIXO - No último post falei da expansão do grupo paulistano de electrorock Telepathique por terras estrangeiras. Que a dupla estava caminhando através da porta aberta por CSS e tal. A curiosidade nisso tudo, vim a saber, é que o Érico Telepathique e o Adriano CSS já tiveram uma banda juntos, a Autoload. Um vídeo do Autload já concorreu até ao VMB de 2002. A banda era de... Drum’n’bass(!!!). Drum’n’bass ortodoxo.

* DESERT MONKEYS – Agora é oficial. O mito vivo Josh Homme, dono do Queens of the Stone Age, vai produzir o terceiro disco do Arctic Monkeys. Impressão minha ou é a melhor combinação roqueira atual que podia acontecer? Homme confirmou a história em uma entrevista à BBC. Até chamou os caras de Desert Monkeys, porque as gravações serão na Califórnia, mais precisamente no Rancho De La Luna Studios. Será um álbum somente do Arctic Monkeys, veja bem. Não tem nada a ver com a série Desert Sessions que o Homme já produz.

* MALLU MAGALHÃES E A PICANHA – É engraçado notar o que causa o “furacão” Mallu Magalhães. Recebi release em que banda indie inclui, entre suas ações de destaque, ter aberto um show para a Mallu. Li outro dia sobre grupo que cita trilhar o caminho do folk pop, “como Mallu Magalhães”. E o show atual da garota de 15 anos (ela cresceu!!!) mais convidada para festivais do Brasil (ela é atração do Planeta Terra) andam sendo patrocinados pelo Hot Pocket, o novo X-picanha da Sadia.

* CASSIUS, IT’S OVER – Fanzoca da banda de (atenção!) indie matemático (hihi!) Foals, a Popload acha o show do grupo inglês no palco dois do Planeta Terra Festival uma das três apresentações mais obrigatórias deste final de ano brasileiro. Os dois shows recentes que eu vi o grupo fazer, o primeiro na lojinha da Apple de Chicago e o segundo debaixo de um sol de rachar no Lollapalooza, foram de-li-ran-tes (seria o sol na cabeça?). Os informes do último Reading Festival também cantam essa bola. Durante a performance da banda, a temperatura da tenda lotadaça onde o Foals se apresentou foi uma das mais altas do festival. Confira o vídeo da galera inglesa cantando junto a ótima “Cassius”. E vai decorando a letra, para fazer o mesmo no Terra. A parte chave, repita comigo, é: “Cassius, an accident, accident, accident, accident”.




* RADIOHEAD – NO SUFOCO – Aí tem a música “Reckoner”, do Radiohead. Sexta ou sétima canção “mais relevante” do disco, nem cogitada para single ela é. No MySpace do Radiohead, para dar uma idéia, ela está escondida na última música faixa oferecida para audição. Com o nome errado. Acontece que “Reckoner” de repente transcendeu o álbum campeão do grupo de Thom Yorke e agora está POR TODO LUGAR. Tipo fugiu do controle. O legal é que a música nem é nova. Circula pelo universo do Radiohead, em versão ao vivo e/ou acústica e/ou modificada desde 2001!!!!

- Tudo isso começou a me chamar a atenção e fui atrás para ver o que acontece com essa música em particular. Passei a reparar que “Reckoner” pode ser a chamada “música de blog”, ou, melhor, “blog song”. Algum blog fala, um outro reverbera, DJs pegam para remixes, mashups e aí já era. “Reckoner” teve sim certa presença nos blogs indies americanos importantes. De um tempinho para cá, as rádios inglesas estão tocando “Reckoner” direto. É um dos mais incríveis momentos do chapante show da banda, como foi visto no Lollapalooza. E o Gnarls Barkley escolheu justo “Reckoner” para fazer uma bacaníssima versão ao vivo. Andam tocando em festivais por aí (mandaram a cover no Lollapalooza, inclusive).

- A hoje viajante “Reckoner”, nasceu roqueira e barulhenta. Foi tocada uma vez só, num show de 2001, sob o nome de “ Feeling Pulled Apart by Horses”. Foi sendo burilada, transformada nesses tempos todos, até aparecer tímida no CD “In Rainbows”, o último e “revolucionário” lançamento do Radiohead.

- Só que, parece, “Reckoner” vai bombar ainda mais. A música foi doada pelo Radiohead ao filme “Choke”, que depois de “causar” em festivais independentes faz sua estréia nos cinemas americanos agora no final de setembro. “Choke” é inspirado em incrível livro do escritor Chuck Palahniuk, um dos mais importantes e transgressores da literatura atual americana, para o bem e para o mal. Palahniuk é o cara que escreveu o polêmico “Fight Club”, o “Clube da Luta”, que virou filme com os bambas Brad Pitt e Edward Norton. Primeiro pintou o boato de que o Radiohead faria a trilha incidental à versão cinematográfica de Choke, porque a banda adora o Palahniuk. Mas depois a história foi desmentida, apenas confirmando que a banda deu “Reckoner” para ser utilizada nos créditos finais. Olha o que essa música está causando.

- Só para ilustrar, “Choke”, o livro, já saiu no Brasil com o título “No Sufoco”, o que dá um bom título. Choke, em inglês, parece ter um milhão de significados. Um deles é, o do verbo, é sufocar, passar mal por não conseguir respirar. A história, se é que dá para contar linearmente, é sobre um ator de filmes de época e viciado em sexo que finge passar mal (choke) em restaurantes, para ser salvo por frequentadores, sensibilizar seus “salvadores”, a ponto de depois arrancar grana deles, com a finalidade de custear o tratamento médico de sua mãe psicótica. Não vou entrar em detalhes, mas na trama o sujeito sex-addicted tem sua história de vida ligada a Jesus Cristo. Hahahaha. Em “Choke”, o ator principal é o ótimo Sam Rockwell.

* THE TWELVES E O RADIOHEAD – Aí, nesta semana, recebo das mãos virtuais do espertíssimo duo carioca The Twelves, bombadíssimo nome nos remixes indies gringos, seu mais recente trabalho. É uma nova e incrível mixtape, chamada “Episode II” e o Myspace deles, /thetwelves, informa como baixá-la e ser feliz. Tem o Twelves burilando músicas de Of Montreal, Zeigeist, The Virgins, Lykke Li e o escambau. E tem a dupla de Niterói botando sua marcantes mãos em... “Reckoner”, do Radiohead. Ficou demais. Ficou bem assim:

The Twelves - Episode II (Radiohead)

* Bom, vou lá. O blog continua de Paris. Viram que o Klaxons confirma que vai tocar no Auditório do Ibirapuera, na versão paulistana do Tim Festival, e na Marina da Glória na versão carioca. E viram que a Amy...


enviada por Lúcio






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Lúcio Ribeiro é jornalista. Edita o Popload e escreve sobre música e cultura pop para a Folha de S.Paulo. É colunista das revistas Capricho e Homem Vogue. Co-apresenta o programa de rádio Poploaded. É DJ residente do clube Vegas e viaja o Brasil tocando em festas de rock.

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