25/07/2008 13:00
O INDIE ESTÁ MUERTO. MUERTO! (final)
(((ÚLTIMA VERSÃO - Não vai chorar: a tal morte do indie. Mars Volta voltando. REM em Porto Alegre. Mais Muse. Mais "Arquivo X". Quebra pau no rock inglês. E a banda que você quer ver no Brasil.)))
* Scully, eu acredito.
* O GOVERNO NEGA CONHECIMENTO - O novo filme do Arquivo X pode ser mais-ou-menos, mas me sinto na obrigação de prestar aqui um tributo à série-filme da dupla Mulder e Scully, o casal fica-não fica de agentes do FBI que resolvia casos sinistros nas cidades da chamada América Profunda. Foram incontáveis as noites cabulosas que eu passei nos anos 90, graças à série.
Arquivo X, que reuniu por nove temporadas os casos mais escabrosos, fantásticos e inexplicáveis, recheado dos personagens mais esquisitos da raça humana (e também de raças não humanas), começou de onde Twin Peaks parou. E terminou por pautar dezenas de seriados que viriam depois, como Lost, Heroes.
Peguei até minha caixa de DVDs de Arquivo X, primeira temporada, para ver de novo. Delícia.
* Arquivo X era chapante, principalmente quando estava no seu auge, quarta, quinta temporada, final dos anos 90. Nesta época, o seriado era visto por 20 milhões de pessoas, em 80 países. O dado mais legal que explicava um pouco seu grande sucesso nos EUA era que havia, de acordo com pesquisa daquele período, 5 milhões de americanos que acreditavam já terem sido abduzidos por extraterrestres. Hehe. Não me lembro de ter vivido algum contato de terceiro grau na vida, nem em Varginha (MG), mas eu era bem empolgado com a série. Tanto que nesta semana fui conferir nos arquivos da Folha os textos que eu fiz à época sobre o programa. Devo ter escrito uns 200 textos sobre Arquivo X para a Ilustrada, quando eu trabalhava lá dentro do jornal, com mesa na redação.
* Achei um texto que me lembrou de qual foi meu episódio favorito nos nove anos de existência da série. Se chamava O Triângulo (Triangle), um dos capítulos mais absurdos da total absurda saga de Mulder e Scully contra o improvável. O episódio, da sexta temporada (1998), misturou referências a O Mágico de Oz, Hitchcock e Encouraçado Potemkin, só para dar uma idéia. Escrevi assim, no jornal, dez anos atrás:
Já que o vale-tudo conspiratório da série é inesgotável, o imbróglio do episódio põe o destemido agente Mulder (David Duchovny) frente a frente com nazistas, depois de viajar no tempo ao passar pelo Triângulo das Bermudas.
E mais (mais?): Mulder e Scully (Gillian Anderson), o mais destacado casal assexuado da história da TV, se beijam em uma cena. Ok, não é bem assim.
O episódio abre com Mulder desacordado no mar, em meio a destroços do navio Lady Garland (evocação de Judy Garland, de "O Mágico de Oz").
O agente do FBI está em algum lugar do místico Triângulo das Bermudas, área triangular no oceano com um dos pontos no arquipélago de Bermudas (América Central), onde reza a lenda desapareceram pelo menos cem navios, aviões e barcos de lazer. Mulder estava no local atrás de um barco inglês de 1939, que teria atravessado uma fenda do tempo e aparecido nos dias de hoje. Do mar, o agente é resgatado por marinheiros do barco do passado, que minutos depois seria capturado por nazistas. Era a Segunda Guerra Mundial.
Daí evocar Hitchcock e os planos-sequência. Uma webcam segue Mulder em disparada pelos corredores do navio, tentando escapar dos nazistas.
Enquanto isso, no "nosso tempo", sabendo do tipo de aventura em que Mulder se meteu, Scully implora ajuda aos chefões do FBI. A webcam desta vez acompanha a maratona de Scully tentando a tal ajuda de andar em andar, de sala em sala, no FBI. É das mais bacanas a dinâmica da cena, sem cortes, que mostra a saga da agente pelos elevadores.
Um episódio para gravar e guardar na parte da estante reservada às fitas com antologias da TV.
* Me deu até vontade de ouvir Mulder and Scully, hit britânico da banda galesa Catatonia, que foi sem nunca ter sido. Eu adorava a Cerys, a líder do Catatonia. A música chegou a terceiro lugar no chart inglês, quando lançada, em 1998. O vídeo de Mulder and Scully está facinho no YouTube.
* CHICAGO A partir da semana que vem, a Popload passa a ser escrita da beira do lago Michigan. A balada é o Lollapalooza, um dos principais festivais americanos, que neste ano vai ter de Radiohead a Magic Wands. De Rage against the Machine e Raconteurs a CSS e Ting Tings.
* Cobri o Lollapalooza em 2006. Fiquei uns 20 dias em Chicago naquela época, porque uma semana antes teve o Pitchfork Festival também, então aproveitei bem a viagem. No Pitchfork teve a famosa história da Marina, ex-cantora do Bonde do Rolê, arrebentar o braço na quina do palco durante show do trio, depois de ela surfar na mão da galera por minutos. Mas a história mais bizarra que aconteceu comigo naquela temporada em Chicago foi esta, que escrevi à epoca no blog:
Estou hospedado em um hotel numa região universitária ao norte do centro de Chicago. É como se eu estivesse dentro da Cidade Universitária da USP, se a USP fosse um lugar cool cheio de cafés, restaurantes, lojinhas. Aí, perto do hotel, sempre passo por um lugar chamado Woodgreen Cafe, que está invariavelmente cheio de gente. E sempre acho que o tal café está bombando no pátio de entrada e talvez eu pudesse passar qualquer hora para uma bebida, comidinha e tal. E sempre que eu me aproximo, porém, vejo um monte de gente esquisita, dessas que não costumam freqüentar cafés universitários. E sempre vejo que as pessoas lá não se olham nem conversam uma com as outras. Aí hoje tudo isso acima aconteceu de novo. E então, quando olhei melhor a placa do Woodgreen Cafe, li que na verdade ali era o Woodgreen Care, uma instituição que cuida de pessoas com problemas na mente.
* Estou saudosista dos meus textos velhos, reparou?
* MUSE Os três shows da banda inglesa Muse no Brasil estão chegando. A turnê, que passa por São Paulo e Brasília, começa no Rio na quarta que vem, dia 30. O grupo de Matt Bellamy já se encontra tocando na América do Sul. Na quarta passada, a banda se apresentou em Buenos Aires. O setlist usado nesta parte da turnê foi assim, para você já ir se preparando:
Dance of the Knights (intro music)
1. Map of the Problematique
2. Supermassive Black Hole
3. Dead Star
4. New Born
5. Butterflies and Hurricanes
6. Feeling Good
7. Sunburn
8. Invincible
9. Hysteria + The Groove (riff)
10. Starlight
11. Time Is Running Out
12. Drum and Bass
13. Stockholm Syndrome
Bis
14. Soldiers Poem
15. Plug In Baby
16. Close Encounters intro + Knights of Cydonia
* VOLTA MARS VOLTA A ótima banda americana de noise experimental deve vir para estes lados no final de outubro. Estes são os planos do guitarrista e faz-tudo Omar Rodriguez-Lopez, líder do TMV, adiantados em entrevista ao jornal argentino Página 12.
* REM EM PORTO ALEGRE Rádio gaúcha divulgou nesta sexta o acerto do show da banda americana para o dia 6 de novembro, no estádio do São José, um clube porto-alegrense, onde cabem 20 mil pessoas.
* OLHO ROXO Ainda sobre a briga de socos do cantor do Bloc Party, Kele Okereke, versus a lenda Johnny Rotten, do Sex Pistols, nos bastidores do Latitude Festival, no Reino Unido. Dois integrantes do grupo Foals, que também toca no festival paulistano Planeta terra em novembro, se machucaram no mesmo quebra-pau, acho que ao tentarem intervir. O vocalista do Foals, segundo o manager da banda, chegou a ficar inconsciente e acordou sendo algemado por um segurança. O baixista está com o olho roxo até agora. O negócio foi feio.
* MAIS ARQUIVO X Olha o efeito que Mulder e Scully causam. O ator Leonardo DiCaprio está pensando em filmar uma versão de Twilight Zone, o nosso Além da Imaginação. Ele ficou inspirado depois desse revival de Arquivo X que veio na garupa do longa-metragem do cinema, e quer entrar no terreno do sinistro.
* MAIS MUSE E, parece, o show deles tem variado. Aqui está a lista de música do show argentino de quinta-feira:
1.Knights of Cydonia
2.Hysteria
3.Map of the Problematique + Maggie's Farm outro
4.Supermassive Black Hole
5.Fury
6.New Born
7.Butterflies and Hurricanes
8.Drum and Bass
9.Apocalypse Please
10.Space Dementia (watch)
11.Invincible
12.Starlight
13.Time Is Running Out
14.Plug In Baby
Bis
15.Stockholm Syndrome
16.Take a Bow
* A BANDA QUE VOCÊ QUER VER NO BRASIL NESTE ANO (ALÉM DAS QUE JÁ ESTÃO ANUNCIADAS OU FALADAS PARA VIR) Hehe. Parece título de música do Fall Out Boy. Mas o que eu quero dizer aqui é que está apurada a enquete que perguntou qual banda ainda deveria ser convidada pelos festivais para vir tocar no agitadíssimo segundo semestre brasileiro. E a lista que eu vou passar aos produtores de festivais e shows de rock em geral (se bem que eles todos lêem aqui) é assim:
1. Verve... 28 votos
2. Queens of the Stone Age... 26
3. Smashing Pumpkins... 21
4. Tokio Hotel... 19
Morrissey... 19
6. Arcade Fire... 16
7. Raconteurs... 14
Portishead... 14
10. Depeche Mode ...12
Considerações: Um voto para o Cazuza.// Um voto para o Radiohead, "no estádio do Corinthians, no dia 1º/4".//Hahahahahaha. Desculpe! // Houve campanha entre os fãs do Tokio Hotel, que foram sacaneados pelos outros leitores da Popload por frases como "Até vou Xorar se eles vierem". //
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* A MORTE DO INDIE CAPÍTULO 1 Adoro manchetes alarmantes, como essa. Seria o fim do indie como nós o conhecíamos? E por que nos sentimos bem com isso?
* A curva do indie rock havia algum tempo estava na descendente, dava para sentir. Principalmente no indie britânico, mais centralizado e mais auto-celebratório.
- O Arctic Monkeys retirou-se, o Franz Ferdinand segurou o disco, o último CD do Kaiser Chiefs não foi sombra do anterior, o Bloc Party passou a fazer músicas confusas de indie-eletrônico e por aí foi.
- O único nome indie a chegar alto nas paradas, neste ano, foi o Ting Tings, em maio.
- No (talvez) maior festival de rock britânico, quem mandou foi um artista rapper, ainda por cima americano, entrando no palco fingindo que estava tocando guitarra e zoando um grande nome do rock britânico.
* Mas o primeiro manifesto real da entressafra do indie britânico saiu nas páginas do poderoso diário inglês Independent, há duas semanas, em sua forte edição dominical, que perguntou em manchete se o mundo precisa de outra banda indie (sempre em referência ao rock inglês). E, na capa de seu caderno Review, o indie atual foi assim representado:
* Com um título do tipo O indie não está rolando mais, a capa do caderno de cultura do Independent on Sundays fazia alusão ao monte de bandas iguais do novo rock que, nas portas dos grandes festivais de verão, estão fazendo o mesmo tipo de som, usando as mesmas calças apertadas e o mesmo corte de cabelo. Seria a morte da outrora brilhante cena underground?, pergunta o jornal.
* Mais sobre esse artigo do Independent e sobre a morte do indie no próximo post. O assunto está longe de acabar.
* E você sabe que alguma coisa está errada na ordem mundial do indie-rock quando o site mais influenciável da cena limita-se a resenhar um disco com um singelo: "sorry =(". O site: Pitchfork, referência para quem gosta de nova música e resenhas longas e detalhadas e matematicamente complicadas (as notas são sempre "ponto vírgula e alguns décimos"). A banda, Black Kids. E o disco, "Partie Traumatic", recém-lançado, o de estréia do quinteto americano. O Pitchfork deu uma nota 3,3 (!!!). E o disco do Black Kids nem ganhou uma resenha propriamente dita (escrita). Entrando no site, você vê dois cachorrinhos pug com carinha Epic Fail de tristeza e a frase "Sorry". Para os blogs, e até para alguns jornais mais "sérios", o Pitchfork foi desrespeitoso com a banda que eles mesmos ajudaram a criar (ou 'hypar', como vocês dizem aqui no Brasil). O recadinho "foi mal aí, galere" foi interpretado como um "desculpa se fizemos você acreditar que essa banda era legal" por muita gente. Eu sou bem- humorado e acredito na versão do site, de que justamente naquele dia e para aquela resenha, eles passavam por problemas técnicos... Hehe. E o que o Pitchfork achou do disco do Black Kids foi isso:
* Não sei o que é pior: o Pitchfork odiar o seu CD de estréia, ou você mesmo achar que ele não vale nada. A banda Joe Lean & The Jing Jang Jong chegou prometendo tudo, mas ao vivo a coisa não pegava. A pose intelectualóide e esnobe do vocalista e sua presença quase zero de palco ajudavam nas críticas sempre "quase lá" que a banda recebia. Pois bem: CD pronto, distribuído à imprensa, críticas positivas finalmente e... o doido do Joe Lean decide que não era nada daquilo que ele queria. Pronto para cair nas lojas na primeira semana de agosto, o álbum só vai sair mesmo em 2009! O jornal inglês The Guardian, que já havia ouvido e resenhado o disco, veio com uma chamada ótima para esta história, rimando "Jong" com "wrong" ("errado"): "E o novo CD do Joe Lean dá Wring Wrang Wrong!". Resta saber qual o "novo rumo" que Joe Lean pretende dar à banda agora, já que as críticas positivas não agradaram. Vai entender.
* Hasta.
enviada por Lúcio
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