28/01/2008 13:59

O HYPE ANTI-HYPE, O BEBÊ E O MONSTRO


* Popload bem polêmica, hoje. Sabe essa corrente que pede a morte aos blogueiros que hypam as bandas? Pois a ordem do dia é: acredite no hype. O hype é bonzinho, só quer o seu bem. Essa teoria saiu no “Guardian”. E a interpretação dela você vai ler lá embaixo.

* A MÚSICA E O BEBÊ – Juno é uma garota de 16 anos que fica grávida de um amiguinho da escola. Como acha muito cedo para encarar a maternidade, resolve doar a criança para um casal trintão sem filhos. O candidato a pai é um músico frustrado, faz jingles comerciais, mas o sonho era ser Kurt Cobain. Gosta de Sonic Youth. A teen Juno gosta é de Iggy Pop e Patti Smith, coisa mais velha. Numa briga feia e tensa em que estava sendo decidido o futuro da criança depois que sair da barriga grávida de Juno, a menina pega a bolsa e, chorando, caminha em direção da porta, não sem antes jogar na cara do “pai” trintão: “E tem mais uma coisa... Odiei o disco novo do Sonic Youth. É muito... barulhento.” E bateu a porta.

* MOLDY PEACHES NAS PARADAS?!?. “Juno”, que está em temporada de pré-estréias no Brasil e até onde sei entra em cartaz dia 22 de fevereiro, é o filme-ternura indie do momento. O “Little Miss Sunshine” do ano. Juno, interpretado pela fofa Ellen Page, canta Velvet Underground com o pai falso. Canta e toca Moldy Peaches com o pai verdadeiro, o da mesma idade. Moldy Peaches, lembra? Uma dupla de malucos que surgiu na cena de Nova York no começo do século, junto com os Strokes. A atriz Ellen Page é amiga da Kymia Dawson, a cantora do Moldy Peaches que tem o cabelo do jogador colombiano Valderrama, e resgatou para “Juno” a “famosa” “Anyone Else But You”. A trilha sonora do filme, superindie, está no Top 10 das paradas americanas. “Juno” tem duas entradas sonoras do Belle & Sebastian na trama de dar um nó na garganta.

* “JUNO” E O TELEFONE DE HAMBÚRGUER – A Juno tem no quarto dela um telefone em forma de hambúrguer. Ela até dá umas sacudidas para o troço funcionar. Assim que o filme fez sua estréia nos EUA, em dezembro, os telefones de hambúrguer viraram mania no eBay. As vendas do aparelho esquisito subiram 759%. Só em dezembro mesmo (o filme começou em poucos cinemas e depois entrou em circuitão no Natal) foram vendidos 773 aparelhos.

* VAMPIRE WEEKEND – O disco de estréia do ótimo grupo de afropop (hehe) Vampire Weekend, de Nova York, um pé no indie, um pé no Paul Simon, já está chegando aqui para mim, por mais que minha conexão não esteja ajudando muito. Deve estar mancomunada com gravadora. De todo modo, o disco, homônimo, estará sendo lançado oficialmente nesta segunda na Inglaterra, na terça no EUA. O que saiu já faz umas semanas é o segundo single do CD, a esperta “A-Punk”. O vídeo da música, como posso dizer?, é uma correria.




* A MÚSICA E O MONSTRO – Você provavelmente já foi a uma balada de apartamento que acabou no meio, por causa de reclamações de vizinhos e tal. A galera do filme “Cloverfield” (estréia dia 8) também já foi. Mas a deles acabou interrompida por um monstro. A monster-interrupted-loft-party (adorei o termo) de “Cloverfield” está tendo seu tracklist discutido e espalhado pela internet. Vai que você queira copiar ele, já que a festa parecia divertidíssima antes de a cabeça voadora da Estátua da Liberdade quase cair na sala da balada. Repare que tem duas do Kings of Leon. Fora a ótima e nada-a-ver linha Jovem Pan “Beautiful Girls” seguida da porrada do Blood Arm. E eu juro que tinha ouvido um remix de “Woman”, do Wolfmother.





ROB’S PARTY MIX:
Coconut Records - “West Coast”
Kings of Leon - “Taper Jean Girl”
Sean Kingston - “Beautiful Girls”
The Blood Arm - “Do I Have Your Attention”
Scissors For Lefty - “Got Your Moments”
Parliament - “Give Up the Funk”
Gorillaz - “19-2000″
Spoon - “The Underdog”
Kings of Leon - “Pistol of Fire”
Architecture in Helsinki - “Do The Whirlwind”
The Black Keys - “Grown So Ugly”
Bright Eyes - “Four Winds”
Joan As Policewoman - “The Ride”
Ratatat - “Seventeen Years”
Of Montreal - “Wraith Pinned To The Mist and Other Games”
MUCC - “Fuzz”

* Mais cinema: e a história de que o ator Heath Ledger, 28, simplesmente... morreu? Não foi remédio, não foi overdose, não foi suicídio, não foi assassinato. Teria sido morte natural.

* O HYPE ANTI-HYPE - O "hype" sempre foi uma palavra amaldiçoada. Ninguém quer ser tachado de hype ou ver a sua banda preferida do interior da Finlândia ser 'hypada' pelos jornalistas. Falando assim, pausadamente, "O HYPE" parece até um monstro, ou uma entidade maligna, como "A Imprensa Britânica" ou "O Rock Nacional". Velha história. Cansado de ver as bandas reclamarem nas entrevistas que odeiam "o tal Hype", Tim Jonze, conhecido jornalista britânico, da New Musical Express e também do jornal “sério” The Guardian, fez um manifesto.
O "Acredite SIM no Hype" é bem simples, direto e serve para a sua banda também: "Quer odiar o hype? Então faça direito!". Não adianta falar mal das bandas com calça skinny e sair com uma delas na rua. Ou nas fotos de divulgação da sua banda, como fez recentemente a 'hypada' Foals, depois de passar metade de um papo com a “NME” reclamando das bandas de calças apertadas. Nem vale fazer como o Maccabees e vender música para comercial, e depois dizer que "não se vendeu". Muito menos como a “estourada” Adele, que acha todo o hype um saco, mas que tem assessores de imprensa oferecendo pautas para as revistas de música. Segundo Jonze, se é para seguir o hype do movimento anti-hype, sigam então a cartilha do Arctic Monkeys, que por muito tempo fez da vida dos jornalistas um inferno. Ou, continua ele, admitam de vez que adoooooram um jornalista babando por vocês só porque vocês conseguem tocar o baixo em sintonia com a bateria".
Fica aqui o conselho de quem entende (o Jonze, não eu): "O hype não é de todo o mal. Hoje em dia, principalmente, ele surge de um pequeno movimento formado por fãs, blogueiros e DJs de rádio, que amam a sua banda e querem que vocês se dêem bem". Só isso.

* MALLU MAGALHÃES EM AÇÃO – Falando em hype, então engole este. Mallu Magalhães é jóia rara da nova geração paulistana. Tem 15 anos, músicas ótimas, canta absurdo e faz cover de Belle & Sebastian e Fratellis!!!! Ela fez uma session exclusiva para o programa de rádio Poploaded, uma das atrações das Corporações Popload e co-apresentado por este aqui e pelo reverendo Fabio Massari. O programa vai ao ar em breve, mas antes da para sacar a Mallu interpretando, toda fofa, a impressionante “Folsom Prison Blues”, de Johnny Cash. O vídeo traz apenas um trecho. A música inteira e a imagem em versão pro, bem editada, entram nos próximos dias.




* POPLOAD DÁ IPOD – A promoção mais hype da história continua. Segue no sorteio um iPod shuffle roxo, de 1 GB, fechadinho na caixa. Tipo lindão. Dê seu parecer sobre qualquer coisa nos comentários ou no email lucio_ribeiro@ig.com.br, para concorrer. O resultado deve sair na quinta ou sexta desta semana.

* PROMOÇÃO POPLOAD/REVERBCITY – CAMISETA MODEST MOUSE
Esta é para os amantes da banda em si, do rock americano e para os fãs dos Smiths. A Popload e a grife indie paranaense Reverbcity vestem você com uma camiseta do Modest Mouse, que conta com o grande Johnny Marr nas guitarras. A Reverbcity oferece toda semana uma camiseta incrível das bandas e artistas que a gente gosta, para sorteio aqui no blog. A da vez, em estampa de edição limitada, é esta:





Para ver a coleção verão 2008 da grife indie Reverbcity: ou você dá uma passada no site/blog da marca, ou confere esse vídeo do YouTube, aqui.

* CAMISETA INTERPOL - VENCEDOR
Ramon Franklin, BH

* Believe!

enviada por Lúcio






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Lúcio Ribeiro é jornalista. Edita o Popload e escreve sobre música e cultura pop para a Folha de S.Paulo. É colunista das revistas Capricho e Homem Vogue. Co-apresenta o programa de rádio Poploaded. É DJ residente do clube Vegas e viaja o Brasil tocando em festas de rock.

Clique aqui para ver o tracklist do programa e vídeos da session ao vivo.

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